Consciência e Ética

Eu me lembro de ter recebido um e-mail de um amigo, algum tempo atrás, criticando uma série de problemas que temos no Brasil, em contraposição à afirmação de que eram pessoas que não tinham orgulho do seu país que faziam deste país o que ele é. A questão, no caso, foi apresentar diversas questões como corrupção e etc, e isso, de certa maneira, mostrar que a culpa não é do cidadão que não tem orgulho do país, mas daqueles que não dão motivos para orgulhar-se.

Para mim, “orgulho” é uma palavra que não se encaixa bem na situação, não é uma questão de valorizar ou desvalorizar o país, mas de observar-se enquanto parte desse país e, consequentemente, parcialmente responsável por tudo o que nele ocorre, sejam as coisas boas ou ruins, é uma questão de reconhecer-se como brasileiro.

De qualquer maneira, a questão em que eu quero chegar é como o nosso comportamento diário e muitas vezes a nossa falta de ética, de respeito, de consideração, no nosso dia-a-dia é parte dos problemas que temos no Brasil; e como eu entendo isso e o problema da política, da justiça e do Estado em geral como uma coisa só.

Acredito que o problema comece nas coisas pequenas e que se resuma a duas questões principais, que são atitudes comuns à nossa população: o costume de buscar sempre algum vantagem e o comportamento de preocupar-se apenas com si mesmo, sem cuidado com a consequência que seus atos geram para os outros.

Um exemplo que me tirou do sério no fim de semana passado, enquanto eu esperava um ônibus, foi o que aconteceu no ponto no sentido oposto (do outro lado da rua). No local havia um condominio e devia estar tendo uma festa ou algo do tipo, pois tinha uma grande quantidade de carros estacionados em frente ao prédio. A questão é que a alguns metros do prédio estava esse ponto de ônibus, e tinha um carro estacionado BEM EM FRENTE ao ponto. A pessoa que estacionou ali certamente não deve utilizar muito o transporte público, e definitivamente consegue ver muito pouco além do próprio umbigo. O ônibus não podia parar no ponto, embora as pessoas tivessem que aguardar nele, e como estava com velocidade (é uma avenida) acabava parando bem longe do local onde as pessoas estavam, e elas tinham que correr um pouco para alcançá-lo, além disso, as pessoas tinham que ir até a rua para dar o sinal para o ônibus parar, pois alguns ônibus não viam o sinal e simplemente nao paravam se a pessoa ficasse la atras.

São essas coisas pequenas do dia a dia que me mostram que o problema do país não está na politica, ou na justiça, ou no Estado, mas nas pessoas que fazem parte dessas instituições, e nem é que o poder corrompa as pessoas. O maior problema é que a maioria das pessoas que está nesses orgãos é exatamente igual a maioria da população, só que seus atos tem uma repercursão muito maior e afetam uma quantidade maior de pessoas.

Alias, essa questão de “afetar uma quantidade maior de pessoas” é muito séria. Eu indignada com o cara que estacionou no ponto de ônibus, me voltei para a pessoa ao meu lado e disse “Mas é um idiota mesmo, não tem o menor respeito” e eis que escuto algo do tipo “Não sei porque você está tão indignada, você não está naquele ponto mesmo, ele não está me prejudicando”.

No fim das contas o que me assusta não é o medo que que nós não estejamos sendo bem representados pelos políticos, mas que eles representem perfeitamente o povo que os elegeu.

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3 Responses

  1. Jonny says:

    Eu fico indignado quando alguém joga lixo pela janela do carro/ônibus!!

  2. Jonny says:

    Alias, todo político tem um podre! Basta ver que quando quiseram caçar o Severino Cavalcanti e agora o Renan Calheiros. Se você fosse deputada e quisessem te caçar, eles iriam achar alguma coisa, nem que fosse para inventar sobre um dia que você usou dados viciados para jogar RPG e que isso é anti-ético!

    Só receber mensalão não é anti-ético

  3. Danielle Toste says:

    Hey ò.ó eu nunca usei dados viciados! Não saia espalhando esses comentários maldosos por ai… blasfemia!

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