TV a Cabo e Liberdade de Escolha
Enviado por: Danielle Toste em 18/12/2007 | Categorias: Cultura & Entretenimento, Legislativo |
Há pouco tempo recebi um e-mail suscitando o debate sobre a seguinte mensagem passada pela SKY:
QUEREM DEFINIR O QUE VOCÊ PODE VER NA SUA TV
Uma das Comissões da Câmara dos Deputados aprovou um Projeto de Lei que obriga a transmissão de 50% de conteúdo nacional na programação das TVs por assinatura. O que pode parecer à primeira vista uma decisão patriótica, na prática significa a criação de restrições à livre circulação de informações, à redução da diversidade cultural e praticamente extingue a sua liberdade de escolha. Mas você ainda pode impedir que este projeto se torne lei!
Nós da SKY sentimo-nos obrigados a trazer isto ao seu conhecimento, pois acreditamos que ele significa um imenso retrocesso ao país. Ele trará prejuízos semelhantes à Reserva do Mercado de Informática, criada pela Ditadura Militar, e que atrasou o país em pelo menos 20 anos.
Você, que já é assinante da TV por assinatura, nos procurou justamente para ampliar seus horizontes, garantindo contato quase que imediato com tudo que está acontecendo no Brasil e no mundo. Você escolheu ter mais opções de entretenimento e informação. Por isso, precisa entrar nesta luta conosco.
Mobilize-se. Proteste!
Acesse agora mesmo www.liberdadenatv.com.br e conheça em detalhes este Projeto de Lei, seus autores e relatores, a repercussão do caso na mídia e manifeste sua indignação. Faça valer sua vontade, junte-se a nossa luta.
SKY - TV é isso.
Frente a isso, resolvi procurar no site da câmara o projeto de lei em questão e descobri que se trata do PL 1908/07 que tramita apensado ao PL 29/2007. O projeto em geral fala de serviços de comunicação eletrônica, e eu destaco os seguintes trechos do texto original:
Art. 1º, II - Conteúdo Eletrônico : conjunto de informações de texto, sons, imagens ou de qualquer outra natureza, de caráter informativo, educativo ou de entretenimento, veiculado por qualquer meio eletrônico.
Art. 7° A programação distribuída através do serviç o de comunicação eletrônica de massa deverá conter em sua grade pelo menos 50% de conteúdo brasileiro, sendo que deste percentual 10% deverá ser produzido por produtores independentes brasileiros.
Art. 15° O artigo 7° desta lei aplica-se também as prestadoras de serviço com outorgas regidas pela lei No 8977/95.
A mencionada lei 8.977/95 trata justamente das TVs a Cabo. Consequentemente é por meio desse artigo 15 do projeto de lei, que as TVs a cabo ficariam obrigadas, conforme a mensagem da SKY a trasmitir em 50% de sua programação, conteudo brasileiro.

Em primeiro lugar, acho que vale a pena comentar um pouco sobre a tal liberdade de escolha que, segundo a SKY será quase extinta. Ora, quem utiliza os serviços de TV a cabo no Brasil sabe que o nível de liberdade de escolha já é, por si só, muito baixo. Temos pouquissimas operadoras (eu só consigo contar três), cada uma contando com um número reduzido de pacotes. A opção que temos é escolher é basicamente entre o pacote básico, médio e premium de cada operadora. Ainda assim, se eu quiser o pacote de canais de filme tenho que engolir uma série de canais que talvez sequer despertem meu interesse.
No fim das contas, portanto, já temos uma liberdade de escolha praticamente extinta. Liberdade de escolha mesmo seria poder montar meu próprio pacote, canal por canal, e escolher exatamente o que eu quero ou não na minha TV.
Dito isso, vamos à questão do projeto de lei. Apesar de achar que as operadoras de TV a cabo não querem proteger a liberdade de ninguem, apenas o próprio lucro, eu acho que esse dispositivo que determina que a grade tenha 50% de conteúdo brasileiro é sim, abusivo.
Sei que temos produções brasileiras de qualidade e que elas precisam de espaço para ganhar força, mas não entendo que isso deva ser feito de maneira obrigatória e muito menos com uma vinculação percentual. Na falta de programação brasileira, as operadoras seriam obrigadas a deixar de adicionar novas atrações à programação (afinal, se decidissem adicionar 5 novos canais estrangeiros teriam também que encontrar 5 canais brasileiros para manter os 50%). Nesse sentido, na medida em que as operadoras fossem impedidas de adicionar novos canais estrangeiros pela falta de canais brasileiros para contrabalancear a porcentagem poderia realmente haver uma restrição à livre circulação de informação.
Acho que existem outras formas de o nosso Estado incentivar as produções brasileiras e garantir que elas tenham a visibilidade e a força que merecem, mas não entendo que obrigar a exibição seja a solução mais democrática.
Minha conclusão: já temos pouquissima liberdade de escolha no que tange a escolha da programação da nossa TV, adicionar mais cotas e requisitos só pioraria ainda mais a situação.
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01/01/2008, às 6:39 pm
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02/01/2008, às 9:23 am
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02/01/2008, às 9:28 am
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06/01/2008, às 2:17 pm
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24/01/2008, às 10:42 am
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12/03/2008, às 2:23 pm
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15/03/2008, às 5:45 pm
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27/03/2008, às 10:07 pm
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08/05/2008, às 1:49 pm